E a coxinha entra no silicone

Socorram os pastéis, os risolis, croquetes e empadinhas pois as coxinhas já viraram asiáticas!

Fiquei sabendo de boca pequena esta semana, que lá no interior de São Paulo existe uma fábrica de coxinhas. Isso mesmo, uma fábrica de coxinhas! Todas idênticas, todas modeladas, todas iguais. Até mesmo as cores da fritura das coxinhas serão as mesmas.

Não mais poderemos ter o prazer de admirar uma verdadeira coxinha com suas partes arredondadas sedentas por uma pegada mais forte e seus bicos que inevitavelmente lembram seios de ninfetas gregas. Não mais poderemos trocar as coxinhas muito queimadas, mesmo depois de dar uma mordida nela e tampouco comentar jocosamente que a coxinha está com varizes. Não, elas entraram na era do silicone onde tudo é perfeito, tudo é milimetricamente calculado, tudo é feito para o olhar e não para o paladar. Choro em saber disso e no meio deste choro veio a saudade da Zefa.

Zefa era daquelas crioulas grandes, enormes, que enchiam o espaço da barraquinha do Mercadão com seu tamanho. Mas que mão tinha Zefa! Mãos de deusa que sabiam como modelar uma coxinha melhor que as de Zeta-Jones e os bicos como os mais perfeitos de uma adolescente. Zefa era deusa, a deusa das coxinhas do Mercadão.

Mas Zefa se foi (já se foi há muito, infelizmente) e seus restos selados para a eternidade com as novas coxinhas siliconadas. Dela somente resta a lembrança da saída no colégio técnico com sol a pino, pegar o ônibus até o Mercado Municipal e rezar para que o outro não lá estivesse, pois assim a passada na barraca da Zefa estava garantida para saborear todo o pecado inserido em uma coxinha feita por mãos que sabem o que fazem.

Sábio é o tempo que levou Zefa antes desta aberração das coxinhas “Made In Taiwan” e a poupou de tal sacrilégio. Mas para mim, resta o dia em que irei acompanhar meus pequenos à um McDonald’s e lá chegando, estarei diante de um pastel de palmito arredondado dentro de uma caixa de papelão reciclado e um copo de caldo de cana com tampa plástica. Aí, será não só o fim de um dos maiores pecados que cometo, mas também a certeza que a China é dona do mundo.

Por amor, não salve as baleias, salve as coxinhas!

3 Comentários

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  1. Dieego Rabelo

    30/05/2009 — 15:37

    Olha, concordo plenamente com a cronica. Eh realmente um absurdo nao respeitarem mais as tradicoes. Outro dia ao passar meus olhos sobre a bendita novela Caminhos das Indias ouvi alguem dizer “Ah que barbaridade esses costumes dos indianos e blah blah blah”… Coisa de gente ignorante. Agora me ponho a pensar, tenho certeza de que eles nunca deixariam fazer isso com as famosas “samosas” deles (Se eh que assim que se escreve). Um movimento deveria ser criado, nao queremos coxinhas narcisistas.

  2. Paulo Antonio

    20/12/2007 — 19:21

    *Jesus!!! alguém faça alguma coisa!!!*
    Isso não pode ficar assim! Vâmo fazer um “Piquete” na frente dessa fábrica!!! Que pecado isso. Tomara que não façam o mesmo com os risoles, senão eu me mato!!! Juro que me mato!!!!

  3. Promessa feita e cumprida, e eis aí a crônica da coxinha! :-)

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