Mês: novembro 2007

No one…

No one can take you away from me now
Don’t worry if they take me away
No one can take you away from me now
Don’t matter how long we have to wait

vídeo

Em casa

Depois de 20 dias, em casa. Saudades da cama e dos amigos. Na bagagem mais quatro países carimbados e certificados no passaporte que irão render ótimas histórias recheadas de causos e fotos escolhidas no meio das 2500 clicadas. Muita coisa interessante, muita coisa diferente e a certeza que viajar sozinho não é mais para mim :-)

Final de semana tem mais, ainda falta desfazer a mala e colocar roupa para lavar antes de começar a escrever sobre os caminhos da Indochina.

Dez dias de estrada

Já estou há dez dias na estrada e somente agora encontrei uma máquina onde conseguisse escrever um pouco. As porcarias dos computadores nos ditos países socialistas só usam Microsoft e o Internet Explorer. Aí meu amigo, a coisa não vai.

No norte da TailândiaNestes dez dias passei pela Tailândia e Laos. O primeiro, uma escala técnica para a entrada no segundo pela “ponte da amizade” que liga Nong Khai a Vientiane, capital laociana. Lá, vários passeios, ótimas fotos (que serão mostradas depois) e boa comida. Saído da capital rumo ao norte, Luang Prabang, uma pequena cidade patrimônio histórico da humanidade pela Unesco. Linda de morrer, pequena, tranquila e várias coisas interessantes para fazer (mais do que na capital). Conheci as Pak Ou Caves, bebi o whisky feito de arroz chamado “laolao” e subi dezenas de escadas que quase me mataram.

Depois de dois dias lá, Hanoi, já no Vietnã. Um lugar impressionante pela baderna, pessoas e muita, muita motocicleta. É algo que qualquer motoboy paulistano pararia na esquina para pensar o que fazer. Ele simplesmente, por mais doente que fosse, não entenderia como as coisas funcionam aqui. Tive que ficar dez minutos parado em um cruzamento para gravar os enxames de motos que conseguem, sem semáforo, sem guarda, sem nada, se cruzarem e não se tocarem. Algo que tem que ser visto e pouco pode ser descrito.

Hoje, vou fazer a “sessão museu”. Vários deles para ver e tentar compreender um pouco do país e do povo. Além disso, ver algumas coisas relacionadas com a recente (sic!) Guerra do Vietnã impetrada pelos americanos em território da Indochina. Certamente, algo interessantíssimo para conhecer mais de perto.

Do “comunismo/socialismo” nada sobrou. Coca-Cola, Marlboro, Ford e Versace são marcas constantemente vistas em produtos e anúncios por todas as ruas e prédios. Além disso, a invasão chinesa é sentida em todas as esquinas, seja por lojinhas empanturradas de produtos, sejam pelas pessoas caminhando nas ruas com suas proles a tira-colo. Fatalmente, se não tomarmos cuidado, mais dia ou menos dia estaremos falando mandarim e tendo-a como idioma oficial do mundo.

Enfim, ótimas imagens, ótimas recordações e vários quilômetros de viagem. Semana que vem parto para o norte do país que promete ser muito lindo, principalmente pela chuva prometida e pelo frio esperado. Até que enfim, estou há onze meses só no calorzão.

Até mais!

Primeira parada – Bali

Já estou em Bali, primeira parada da viagem à Indochina (Laos e Vietnã). Daqui, dentro de algumas horas embarco para Kuala Lumpur, capital da Malásia onde passo a noite para no dia seguinte seguir a Tailândia e divisa do Laos.

Hoje Bali está tranquila. O que não está é o assalto pelo qual estou passando no cybercafé do aeroporto: 25 mil rupias a cada 15 minutos. Isso é mais que 10 dólares a hora. Roubo!!!

Por isso, post rápido senão não sobra nem para o cafezinho.

Um sonho de criança

Criança normalmente sonha com monstros que as amedrontam, com coisas que não gostaria de fazer ou ainda com aquelas chamadas de impossíveis. Quem é que nunca sonhou em bater no moleque mais chato da turma (só que ele era grandão)? Ou não sonhou com o bicho papão por causa do escuro? Ou ainda em poder ser como um super-herói da TV ou ainda não ir para a escola. Duvido que os sonhos de crianças não sejam assim até hoje.

No meu caso sonhava com isso, claro. Mas também sonhava com outras coisas que, naquela época, eram impossíveis para mim. Sonhava em andar de avião, em conhecer vários lugares diferentes, em ver coisas novas. Fui crescendo e os sonhos não acabaram, ao contrário, se tornaram maiores, mais distantes, mais ousados.

Um deles vem de berço. Meu velho, comunista de carteirinha (realmente), possuía a teimosa mania de comprar livros. Livros de história, de artes, de ciências. Assim sempre tive acesso à livros e tomei gosto pela coisa, seja para ler ou para escrever. De outro lado, minha velha, professora de história, contava coisas interessantes sobre o mundo que me deixava boquiaberto e pensativo no quanto nosso mundo era grande. E deste tempo e da mistura dos dois veio um sonho enorme.

O sudeste asiático, principalmente a chamada Indochina sempre me foi um fascínio, fossem pelos livros de história ou ainda pelos filmes que naquela época somente mostravam a visão unilateral dos americanos. Desta época já vinha minha indignação de que não seria possível serem tão bonzinhos e os “chinas” serem tão maus, o que se mostrou totalmente inverso nos anos vindouros com a verdade sendo conhecida por outras fontes. Mas além desta visão, recordo-me das cenas e imagens dos arrozais sendo bombardeados por napalm, as casamatas, as multilações. Um período rubro-negro pelo qual alguns povos passaram nas mãos da “polícia do mundo”.

Quando tinha 13 anos prometi para eu mesmo que iria um dia pisar nesta parte do mundo para ver de perto o que tornou-se prazer para os franceses durante muito tempo e o que foi palco de uma das maiores atrocidades humanas depois da segunda guerra. O Vietnã, Laos e Camboja, países que nada são para a maioria das pessoas mas que possuem uma história milenar vinda desde os mongóis até os descendentes de Buda que mesclados criaram um povo extremamente rico em cultura e arte. Neste caldeirão multiracial e multicultural eu mergulho para realizar dois terços deste sonho de criança.

O roteiro é simples: algumas escalas em cidades-chave (Kuala Lumpur e Bangkok) até a fronteira entre a Tailândia e Laos, já diante do rio Mekong e de Vientiane, a capital laociana. De lá, Luang Prabang, pequena cidade ao norte do país considerada patrimônio mundial pela UNESCO e depois a entrada no Vietnã por Hanói. Alguns dias ali e parto para Ha Long Bay (outro patrimônio mundial) e Sapa, na fronteira com a China (que não vou entrar pelo menos a princípio). Voltando para Hanói desço para a antiga Saigon (hoje Ho Chi Mhin) onde pretendo conhecer algumas casamatas da época da guerra. Finalmente, Cingapura para uma parada estratégica e a volta para casa.

Mapa da rota

Toda a viagem soma mais de dez mil quilômetros de vôo, doze cidades e vinte dias, o que é pouco para conhecer tão deslumbrante local de nosso planeta. Os preparativos já estão quase prontos, faltando somente receber o visto de entrada no Vietnã e fechar a mala. Então ainda dá tempo de contar aqui um pouco mais sobre esta viagem antes da partida.Aguarde cenas dos próximos capítulos. Vai ser sensacional!

A verdadeira Indonésia

Quando se fala da Indonésia lembra-se rapidamente de quatro coisas: terremotos, vulcões, tsunami de 2004 e Bali. Destas, a última não é a verdadeira Indonésia, mas sim um oásis de tranquilidade e consumismo no meio do nada (claro que sem atentatos terroristas).

No feriado passado fui conhecer a verdadeira Indonésia indo para Kupang, capital de uma província enfiada em uma das dezessete mil ilhas do país. Esta localidade pode ser classificada como a “verdadeira Indonésia”; poucos falando inglês, diferenças sociais gritantes, serviços ridicularmente precários e um ar de esquecidos no mundo. Definitivamente não é um lugar turísitico, servindo somente de ponte para outras ilhas da região que possuem algum atrativo para quem é de fora. Leia Mais

Tentei

Eu juro que tentei me conter mas cada vez que lia a frase, rolava de rir:

“Tem Dia que, quando a sorte acaba, ela acaba.”

Que profundeza de pensamento meu Deus. Pior se a sorte acabasse e não acabasse. Mas se ela acabou não pode não acabar que pode acabar mas não pode…. aff…

Dó?

Sempre que preparo uma viagem (exceto “Operações Apache“) eu procuro saber o máximo possível dos locais para onde vou. Sites turísticos ou interessantes e regionalidades como comidas e bebidas típicas. Mesmo sendo um trabalhão enorme normalmente compensa por descobrir ou conhecer coisas interessantíssimas.

E para a próxima viagem a partir de sexta-feira não está sendo diferente. Laos e Vietnã certamente possuem coisas inimagináveis e que não podem ser perdidas, principalmente porque sabe Deus quando piso novamente nestas terras. Vontade não vai faltar. Vai faltar é grana mesmo porque sair do Brasil até aqui, vão verdes de montão.

Para estas buscas uso diversas fontes. O Wikitravel, um wiki estilo Wikipédia mas voltado a viagens é sempre parada obrigatória para consulta. Também estão na lista o Amadeus (passagens aéreas), LonelyPlanet, National Geographic e claro, o Google. Mas também uso uma outra fonte interessante que são as redes P2P onde procuro (e encontro) vídeos, documentários e textos sobre os lugares. A vantagem desta fonte é que ela se torna muito mais consistente e com conteúdo mais interessante que qualquer outra.

Um exemplo foi a procura por algo sobre o Laos e o retorno do filme Hunted Like Animals (Caçados como animais) de autoria de Rebecca Sommer. É um documentário sobre o genocídio impetrado pelo exército do Laos contra aqueles que ajudaram a CIA na guerra do Vietnã e que hoje, trinta anos depois do confilto, ainda estão sendo caçados ou estão refugiados dentro da Tailândia em campos que são um verdadeiro horror.

O que mais assusta são as imagens capturadas com fidelidade da tristeza e amargura do povo Hmong e as faces daqueles que foram multilados, de uma forma ou de outra, pelo exército, inclusive velhos e crianças.

Refugiado do Laos na Tailândia

Mas a verdade por trás do documentário é desmascarar a ajuda norte-americana ao exército para o extermínio, seja provendo armas, logística ou métodos de tortura desconhecidos ou não comuns para o povo do Laos, usando para isso a desculpa da “guerra contra o terrorismo mundial”. No resumo, o governo americano ajuda a matar aqueles que ajudaram seu exército na vexatória derrota dentro das florestas vietnamitas, como se fosse vingança por terem perdido vergonhosamente o conflito.

Se você se interessou pelo documentário, acesse o site da diretora clicando aqui. Nele você pode encontrar trailers do filme ou ainda solicitar o DVD. Mas atenção, não indico assistir à noite ou com crianças na sala. As imagens são impressionantes e podem deixar aqueles mais fracos com indigestão (como toda a verdade apresentada nua e crua).

Depois ainda pedem para que eu tenha dó dos três mil americanos que morreram nas torres de Manhatann. Será que não devo ter dó dos trinta mil caçados como animais e exilados de suas terras?