Pode ou não pode?

Categoria(s): Pessoal, Viagens

Brasileiro é tão mal acostumado com desmandos que nem se preocupa em ser capacho do “porteiro”, aquele que veste um uniforme qualquer e acredita que por sua posição diferenciada (o uniforme), está acima de qualquer suspeita. É o famoso “você sabe com quem está falando” que inclusive, por ser regra comum, foi também adotado pela população de forma generalizada. Uma lástima.

O sistema aéreo no Brasil, com a Infraero e as companhias aéreas, deveriam ser aquelas que menos adotam esta regra mas são o contrário. Por estarem numa posição onde os clientes dependem delas, pintam e bordam exigindo as mais diferentes coisas de acordo com a vontade do “porteiro” que lhe atende na sala de embarque, no balcão do check-in, na segurança e assim por diante. Algumas absurdas e outras realmente ridículas. Aqui, exemplos interessantes do que já se passou comigo na mão dos “porteiros”:

Azul Linhas Aéreas
A Azul é tão chique que possui até “porteiro eletrônico”. Um teimoso que me obriga a informar “uma pessoa de contato” na hora do check-in pela Internet, mesmo não sendo obrigatório pela ANAC fornecer esta informação (se eu não quero que avise ninguém que o avião caiu, o problema é meu). Diante desta obscura obrigação, fica a pergunta: “para que usam estes dados se não é obrigatório?” Na dúvida, coloco sempre a “Pessoa de Contato” como “Sua mãe”, o “Grau de parentesco” como “amante” e o telefone como “190”. Resolvido seu “porteiro”.

Infraero
Falar mal dela é fácil. São tantas as merdas que fazem que faltaria blog para isso. Dentre as mais interessantes são aquelas em viagens internacionais, particularmente com isqueiros. Mesmo a ANAC em sua resolução 207 permitir o embarque de isqueiros “tipo BIC” nos voos domésticos e internacionais e também, os Estados Unidos permitirem este tipo de isqueiro (a permissão está aqui), os “agentes” dos aeroportos teimam em não deixar os isqueiros seguir viagem. Decerto não sabem das regras ou realmente são “porteiros”.

Gol e TAM
Realmente não sabem o que é um ESTA – Electronic System for Travel Authorization. Como possuo dois passaportes, sempre viajo para os EUA com o italiano pois não tenho necessidade de visto, mas sim de um ESTA. O meu sempre está válido pois renovo a cada dois anos regularmente (nunca se sabe quando irá precisar).

A regra é simples: se você tem passaporte de um dos países do Visa Waiver Program (que é meu caso), você não precisa de visto para viagens de turismo ou negócios, mas sim do ESTA e SOMENTE dele. Mas, claro, as duas brasileiras acreditam que você PRECISA do visto e exigem que o ESTA seja apresentado.

Diretamente de minha autorização então, para clarificação:

esta1

Leia-se: you will not be required to present a copy of your authorization… (negrito do próprio site americano).

Para mim fica então a certeza que, diante de todas estas “asneiras”, o brasileiro é muito mal informado e mais ainda, não procura o que é de direito ou não. Se as manifestações que ocorrem nas ruas com milhares de participantes acontecessem no dia a dia em todos os lugares com coisas simples como as apresentadas acima, poderíamos fazer um país melhor.

Como cantava Gabriel, o Pensador:

Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando?