Um de meus amores é o pastel. Não estou falando daquele pastel de forno ou ainda os pastéis de Belém. Estou falando daquele pastel de feira quentinho que você acorda cedo para ir comer. E com um vinagrete então…

Aqui ao lado da casa da família tem feira todo o domingo (outra coisa que gosto, feira livre). E claro, barraquinha de pastel de japonês. Sim, porque pastel de italiano não é pastel, é pizza. Pastel tem que ser japa, o restante é imitação made in China (até isso eles pirateiam). Mas enfim, todo o domingo que cá estou, acordo cedo esteja fazendo sol, chuva ou caindo canivete aberto lá estou comendo pastel.

Hoje não foi diferente. Nove da manhã já estava comendo pastel com meu segundo irmão. Come um, come dois e começamos a fazer um exercício matemático (em plena nove da matina de domingo) de quanto o Mário, dono da barraquinha, ganha por mês e simplesmente decidimos: vamos vender pastel. Quer ver porquê?

O primeiro problema: como descobrir quantos pastéis vende por dia. Então fizemos um cálculo “por cima” baseado no seguinte: durante a meia hora que lá estivemos contamos 60 pessoas comendo pastel. Cada pessoa come em média dois pastéis (o que não vale para mim, claro), que prefazem 120 pastéis a cada meia hora, 240 por hora. Como a feira acontece entre às 7 e meio dia, são cinco horas dia que totalizam 1200 pastéis. Colocando uma média de R$ 2,20 cada pastel, o faturamento diário de seu Mário só com pastel é R$ 2.640,00.

Agora, multiplicamos este valor por 30 dias (porque feira não tem feriado), chegamos a conta de R$ 79.200,00! É pouco? Pois bem, acrecentamos também 600 latas de refrigerante (uma para cada dois pastéis) em média por dia ao preço de R$ 2,00 cada uma, temos no final R$ 36.000,00. Somando, chegamos ao faturamento de R$ 115.200,00 por mês. Se o Mário depois que pagar tudo ficar com só 10%, seu lucro líquido é de R$ 11.520,00.

Resultado de meu domingo na feira: nunca saí tão frustrado de uma comilança quanto hoje. O pasteleiro ganha muito mais do que eu que já tenho 20 anos de profissão e muito mais do que o presidente (sem descontar os cartões, é claro), mesmo fazendo pastelão. Ser presidente? Ser programador? Que nada, quero é ser pasteleiro :-)

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