Get out!

Categoria(s): Pessoal, Tecnologia

Resolvi acabar de vez com a brincadeira. Há algum tempo removi meus perfis das redes sociais Facebook e Orkut, além de outras com menor expressão, para as quais realmente não pretendo voltar tão cedo. Se está procurando uma resposta para esta atitude que pode ser considerada “drástica” ou insana nos dias de hoje, tento explicar meu ponto de vista (se não aceitar também, foda-se).

Tempo
O primeiro dos motivo é tempo. Não ando com tempo para ficar “brincando de perder tempo”. Acho que redes sociais são muito boas para duas coisas: gastar tempo e fazer dinheiro. Nada mais que isso. No primeiro caso, gasta-se um tempo enorme lendo besteiras e a lixarada publicada diariamente por viciados que pouco tem o que fazer (ou tem mas ficam procrastinando). No segundo, empresas (e pessoas) se beneficiam desses mesmos perdedores de tempo para fazerem seus negócios crescerem, o que realmente não vejo nada de mais já que há muito nossa sociedade é assim. Não acredita? Observe a indústria musical e a indústria da moda como funcionam.

Assim, estando a beira dos quarenta anos e não querendo desperdiçar os próximos quarenta vendo besteiras, decidi que o melhor é levar adiante a mania de filtrar informações e remover do cardápio também as redes sociais, já que tenho um monte de idéias na cabeça que precisam ser vazadas para fora e “perdendo tempo” dentro de uma rede social isso não irá acontecer.

Pode parecer paradoxal uma pessoa que está há mais de quinze anos na Internet fazer algo assim. “Pode”, mas não é. Neste tempo todo já vi de tudo e já passei por todas as ondas; ICQ, IRC, chat, RSS, mailing list e assim por diante. Já vivenciei tudo isso e confesso que pouco foram os que me acrescentaram algo. Alguns bons chats, algumas boas conversas e conhecer algumas ótimas e maravilhosas pessoas foi o máximo que consegui e não sei mensurar realmente se a balança pende mais para o lado bom ou o lado ruim.

Você pode argumentar que redes são um meio de extravasar, de encontrar pessoas que há muito não vê ou ainda de “ficar por dentro” do que acontece pelo mundo. Convenhamos, existem formas melhores de extravasar o dia-a-dia (me veio a cabeça o comercial do micro-ondas da Sharp), pessoas que há muito não vê são, em sua grande maioria, aquelas que você realmente NÃO quer ver e “ficar por dentro” do último Big Brother é desperdício de fosfato.

Segurança
O segundo motivo é segurança. Sendo programador há mais de vinte anos, sei bem o que é possível de ser feito com meia dúzia de linhas de código e um banco de dados. Sem você saber (e permitir), é possível saber quase tudo de sua vida e traçar um perfil quase perfeito sobre sua pessoa. Quais os filmes que gosta de ver, os livros que mais lhe agradam, suas tendências políticas, religiosas, sua capacidade financeira (incluíndo renda estimada) e até mesmo suas preferências sexuais (incluindo-se aqui todo o tipo de perversão ou característica) são fáceis de serem conhecidas, mapeadas e usadas, contra ou a favor de você.

Não pense que isso é coisa de Hollywood e que estamos dentro de uma matrix. Eu mesmo já fiz para um cliente um website que conseguia traçar o perfil financeiro do visitante para ofertar produtos de maior ou menor valor agregado de acordo com seus interesses. Detalhe: tudo isso sem que o visitante do site soubesse que estava sendo analisado. Indo mais além, em 2007 comentei aqui mesmo no blog sobre um acordo da Comunidade Européia com os EUA que permitia o segundo dar uma bisbilhotada em seu extrato de cartão de crédito antes que embarcasse para a terra do Tio Sam.

Então, preocupado com a segurança de minhas informações pessoais na rede e o Google (e não só ele) cada vez mais afiado na busca e cruzamento de conteúdo em quaisquer formatos e usando semântica fortemente, não sei onde as coisas vão parar. Qualquer coisa que escreva ou clique pode ser interpretada de diferentes formas e muitas delas não tão corretas. Isso realmente me deixa preocupado com o futuro chegando a reconhecer traços do filme Minority Report em nossa sociedade em anos vindouros.

Um exemplo claro é o número de spam’s que ando recebendo em minha caixa de e-mail. Mesmo com filtros que inibem essas mensagens indesejadas de chegarem ao meu leitor de e-mails, aquela “pastinha” spam sempre está cheia. O mais interessante é que a grande maioria das mensagens vem de sites que nunca visitei, nunca estive e tampouco conheço. Assim, de duas uma, ou Deus opera cada um deles ou alguém está vendendo minhas informações para outrem sem que eu saiba.

Retorna?
Para as redes “pop-star”? Não sei. Simplesmente não sei. Ainda existem algumas que frequento mas são estritamente técnicas onde encontro pessoas e assuntos relacionados ao meu trabalho ou no nível que realmente desejo de conversa. Exemplos são a DrupalSN, os fóruns de Joomla! e algumas listas de discussão mais seletivas. Para as outras, só mesmo se mudarem as políticas de compartilhamento de informações. Claro, não vou dizer que “desta água nunca beberei” porque pode surgir uma revolução nos meios sociais mas, como ando ficando cada vez mais São Tomé, creio que o retorno demora.

Desta forma, se procura contato comigo, você pode realmente me mandar um e-mail ou mensagem clicando aqui ou pode deixar um comentário tanto neste blog quanto em meu site profissional. Mas se deseja bisbilhotar minha vida, procure no Google. Ele já tem muito a dizer, eu querendo ou não.